Em fevereiro deste ano, na Ilha do Governador, cinco jovens espancaram Vítor Suarez Cunha, de 21 anos, quando tentou defender um morador de rua que estava sendo agredido. Agora, a Justiça mandou soltar os agressores da prisão, que não serão acusados de homicídio qualificado e nem irão a júri popular. Vítor sofreu fratura em pelo menos 15 ossos da face. O juiz alega que os jovens não tiveram intenção de matar.
Nas ruas, a população se diz indignada e vê a insegurança aumentar. A sensação de impunidade é evidente.
O Juiz e professor de Direito Alexandre Camacho esclareceu o porquê dessa decisão. “Teoricamente, sobre o que se fala do procedimento do júri, é que se desenvolve em duas etapas distintas: uma primeira etapa, onde cabe ao Magistrado examinar o juízo de admissibilidade da acusação”, disse.
As provas – produzidas pelo Ministério público e pela defesa - são colhidas e com o encerramento da instrução da primeira fase, o juiz tem diante de si algumas possibilidades: a pronúncia, quando o juiz vai analisar as provas e deve se pronunciar caso dúvidas surjam quanto ao homicídio doloso, ou culposo.
“Se o conjunto da prova convergir para a efetiva existência de crime doloso contra vida e autoria, ele [o juiz] vai pronunciar. Se o conjunto da prova for conflituoso, se parte da prova aponta para o crime de homicídio doloso e parte da prova aponta para uma outra possibilidade, homicídio culposo, o juiz também é obrigado a pronunciar e submeter que a decisão fique a cargo do Tribunal do Júri. Quando toda prova produzida apontar para a inexistência do dolo de matar, a decisão correta é a decisão de desclassificação própria e remessa para outro Juízo competente a julgar crimes que não sejam voluntários contra a vida. Se o local do atingimento e a forma de atingimento for direcionada a local vital, pode-se sim, teoricamente, admitir que essas agressões denotam pelo menos a absolvição prévia do risco de causar o resultado morte”, apontou Alexandre.
Algumas pessoas, quando perguntadas nas ruas sobre esse assunto foram unânimes: “é preciso repensar como lidar com a vida humana”.


11:52
Blog da UCAM

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